quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

ÀBÉRÉ, A MARCA DA BELEZA DO POVO MURSI

Quando adentramos o universo do Candomblé, aprendemos que “a marca do Santo” é a Kùrá, que simboliza a feitura de nossa Divindade em nós, lembrando-nos da importância e responsabilidade, que essas “marcas” carregam. Mas, já paramos para entender o tamanho da importância das mesmas? O real valor destes traços em nossos corpos? Nos conta o Povo Igbò, que na longínqua terra de Mursi (Território, onde nasceu Myíbáá, que mais tarde fora cultuado como Kòró, também conhecido na Nigéria como Àkóró, confundido com Sòròké, pois ambos são jovens e guerreiros, sendo que o primeiro, Kòró, é filho de Nw`yíbá, Senhora das guerras do povo Mursi, e Sòròké, Senhor das guerras do povo Gunté, é filho de Ògúnté, que também é mãe de Bàrú e Bàrá Igbò, sendo este último, o fundador do povo Igbò), um guerreiro chamado Kòró funda sua tribo, onde Ele era Senhor e único soberano, não permitindo que suas esposas tivessem filhos, pois Ele não admitia passar a coroa à qualquer pessoa. Este Rei, que sempre se autodenominava o maior dentre todos de África, recebe a visita de sua mãe, que já morava longe, próximo à Abeokutá, pois decidira viver com Ghòdòó, feiticeiro da mesma tribo. Ao chegar à aldeia de seu filho, fora recebida como rainha absoluta, sendo louvada como uma Deusa na Terra, e recebendo dos súditos de seu filho as maiores honrarias. Em uma conversa com sua mãe, Kòró a diz que ele queria que seu povo fosse consagrado a Òrúnmilá como único, pois todos que retornassem ao Òrún, deveriam ser reconhecidos como os filhos da Terra de Kòró. Sua mãe o ouve atenta, tentando entender o porquê desta necessidade absolutista de seu filho. Ela sabia que ele era um Rei poderoso, mas não mais poderoso que outros Reis como Ògún em Ondo, por exemplo. Ouvindo-o atentamente, ela o diz que ele poderia deixar sua marca na Terra, mostrando a todos, quem ele era e quem seu povo era, mas nunca, jamais poderia tornar-se mais especial que outros Reis, pois todos os Reis do Aiyè eram filhos de Òrúnmilá, assim como ele. Ele, com sua prepotência, não aceita esta colocação de sua mãe, e decide consultar o feiticeiro de sua tribo, já que sua mãe não o entendera. O feiticeiro o ouve e o diz que consultará Ìfá, pois só Ìfá teria a resposta àquela questão tão delicada. Na mesma noite, o feiticeiro cai em sono profundo, e entra em contato espiritual com Ásáyínan, que era a Nèné mais antiga do Òrún, e Ela o diz para falar ao Rei, que para que seu povo fosse reconhecido no Òrún, Kòró deveria marcar seu povo com as *Kùrás, pois elas seriam a marca dele no Ayiè e no Òrún. Ao despertar no dia seguinte, o feiticeiro vai até seu Rei, e lá, o conta sobre o sonho. Imediatamente, Kòró pede à sua mãe, que era grande conhecedora dos mistérios do Òrún, que ensinasse às suas esposas como e quando fazer as Kùrás no seu povo.
Nw`yíbá o diz que as Kùrás são sagradas, e que ela não poderia ensiná-lo sobre as mesmas, pois só o Òrún detinha a permissão para tal ato. Enfurecido com a resposta de sua mãe, ele pede que o Òrún o enviasse alguém que pudesse marcar seu povo, e assim fazendo, transformando-o em o povo mais especial dentre todos os reinos. Na lua nova, chega à aldeia uma Nèné, carregada em um trono alto, por seis (6) guerreiros, fora toda sua corte de mais de mil (1000) homens e mulheres, todos guerreiros e todos marcados pelas Kùrás. Era *Yè Bèré, a Mãe do povo sagrado. Ela traz suas damas de honra, e pede que as mesmas façam uma fila com o povo de Kòró, “marcando-os” com os traços sagrados. Kòró não aceita, pois ele queria que seu povo fosse o único a carregar as “marcas sagradas”, e o povo de Yè Bèré já as trazia. Yè Bèré o diz com todas as letras: "Rẹ iyaju kì yóò jẹ ki i ri wipe gbogbo eniyan ni o wa mimọ ati oto ninu awọn oju ti Orun. Maa ko ba fẹ lati wa ni oto, fun ti o ba wa ni o kan miran ṣe ti asan ati igberaga.
Lati Orunmilá, ti o ba wa a ọmọ, bi gbogbo eniyan, bi gbogbo eniyan ni o ni, tabi lailai ni yoo ni anfani. " "Sua arrogância não o deixa ver que todos os povos são sagrados e únicos aos olhos do Òrún. não queira ser único,pois você é apenas mais um, feito de vaidade e orgulho. Para Orunmilá, você é filho, assim como todos, e como todos, não tem, nem nunca terá regalias." Kòró se cala diante de tanta autoridade, e obedece submissamente aquela senhora,que irradiava tanto poder. Yè Bèré o olha fundo nos olhos e diz: "Bi ti oni, enia rẹ yio lọ si orilẹ-ède gbogbo, mu mi ami lori titun oṣupa, ati nigbati awọn ọwọ ti Orunmila ilẹ lori kọọkan ori, mi ami yoo ṣee ṣe ni ara ati ọkàn ti gbogbo awọn ọmọ ti o gba wọnyi burandi . " "A partir de hoje, seu povo irá à todas as nações, levando minha marca na lua nova, e quando a mão de Orunmilá pousar em cada cabeça, minha marca se fará no corpo e na alma de todos os filhos,que essas marcas aceitar." E, assim foi feito. Em todos os filhos do Axé, na lua nova; ou seja, no nascimento dos mesmos à sua Divindade, “as marcas sagradas” de Yè Bèré são colocadas em seu corpo, mostrando a todos que naquele corpo habita um Deus, que fortalece aquela alma e aquele coração. *Kùrá (Kù-corte+Ìrá-único) é a “marca sagrada” que todos os filhos do Axé carregam para mostrar aos povos do Ayiè, que são os escolhidos das Divindades Negras. * Yè Bèré, que mais tarde tornou-se Àbéré, também é o nome dado às Kùrás, pois as mesmas foram “batizadas” com o nome da Nèné, que as criou para que todos os filhos do Axé sejam reconhecidos no Ayiè e no Òrún por todas as Divindades sagradas.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Culto aos Orisás


      Passei toda a minha vida, ouvindo o som das folhas ao vento, das ondas do mar a ir e voltar, da grande queda de água que se espalha ao se contorcer nas curvas dos rios, do sibilar das flechas em busca da caça, do acerto do ponteiro da balança da justiça, sentindo o frescor da chuva a bater no meu rosto e deslumbrar depois a exposição do arco-íris. 

    

 Só depois de um certo tempo, pois ele é soberano e sábio, pude compreender que tudo não passava de um pequeno toque dos Orisàs em minha vida.

    
 Semente cultivada no Gantois, transformei a muda plantada em um lugar distante da raiz original.    

 Hoje essa muda cresce e cria sua raiz, com o nome de ILÈ ASÉ ODÉ ONIOFÁ AYNHAMÓ para propagar o ASÉ e mostrar ao mundo a força e o poder dos NOSSOS ORISÁS, e o quanto eles podem transformar as nossas vidas. 

    
Enquanto possuir vida, saúde e alguém para me ouvir, lutarei pela voz, tradição e espaço do nosso CULTO AOS ORISÁS.
Baba Okemi

     

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Significado dos Idés



OS IDÉS - O SÍMBOLO DE LIGAÇÃO COM O ORISÁ.
Os aros de metal dourado, prateado, de cobre ou de barro são muito usados nas religiões afro e também são insígnias. Significam jóias. Representam a riqueza, a realeza, a beleza ligada aos orixás.
Representam a aliança inquebrável do homem com os orixás. São o elo entre o material e o espiritual. Por isso os yawôs e neófitos em várias nações as usam em seus braços representando a energia do seu orixá e de seu odu, e que são as “noivas do orixá” e estão consagrados à eles.
Representam o círculo perfeito, que flui eternamente em todas as forças da natureza.